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Like A Man

28 de Junho, 2018

Lençol dos dias

João NC

lençol.jpg

 

Quero partilhar uma teoria convosco. Uma reflexão, digamos.

 

Imaginem comigo: um casal - que partilha a mesma cama - tenta tocar-se, mas tem um lençol a separá-los. Sentem o corpo do outro, mas o lençol pelo meio inibe o toque pele com pele. Será uma sensação de quase-toque. Sentem-se as formas mas não a textura da pele do outro.

 

Tenho para mim que é assim que muitos casais que nos rodeiam vivem as suas vidas. Numa ilusão de intimidade, de “toque de pele”, que não passa de uma sensação de quase-toque. O “lençol” da vida destes casais pode ser a ausência de diálogo, a falta de intimidade, a divergência nos valores com que regem as suas vidas ou até a mentira. Também os filhos e os afazeres profissionais, muitas vezes, assumem o papel deste “lençol” que nos afasta do outro.

 

Estamos fisicamente próximos, partilhamos rotinas, conversas de circunstância, mas a intimidade perde-se nesta “cama” da vida em comum. Uma cama que pode ter lençóis de seda, de algodão ou de flanela, em função do afastamento que se cria entre o casal. Há até quem tenha lençóis de forro polar, meus amigos.

 

Se o verão é propício para atirar com os lençóis para os pés da cama, aproveitemos para tocar a pele do outro. Baixem-se as barreiras e solte-se a intimidade. Sem filtros nem barreiras. Afinal, o mundo precisa de mais relações saudáveis. A humanidade agradece.

 

 

2 comentários

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    João NC

    03.07.18

    Verdade. Ninguém é obrigado a tocar, tal como ninguém é obrigado a concordar comigo. Eu gosto de tocar. E estou longe - muito longe - de achar que o toque "incentiva ao taradismo superficial". Há muitas formas de "tocarmos" alguém, caro anónimo.
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